TEV no doente com cancro: Dados epidemiológicos

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O cancro, para além da sua própria agressividade que frequentemente ameaça a qualidade de vida e a própria sobrevivência do doente oncológico, produz ainda alterações profundas no sistema de coagulação, aumentando o risco da ocorrência de tromboembolismo venoso (TEV), a sua recorrência e o risco de morte.

Os doentes com cancro possuem um risco relativo de TEV cerca de 4 a 7 vezes superior à população em geral, sendo que a taxa de incidência é de cerca 13 por 1.000 pessoas/ano. Estes valores médios variam com vários fatores, relacionados com o próprio doente (exemplos: a idade, a obesidade, a história passada de TEV), o tumor (exemplos: alguns tipos de cancro apresentam um risco de TEV superior a outros, a existência de metástases) e o tratamento (exemplos: extensão da cirurgia realizada, alguns agentes de quimioterapia, etc.).

Os doentes com cancro possuem um risco relativo de TEV cerca de 4 a 7 vezes superior à população em geral, sendo que a taxa de incidência é de cerca 13 por 1.000 pessoas/ano

O TEV constitui a segunda causa global de morte nos doentes com cancro e a primeira causa de morte em doentes sob quimioterapia. Os doentes oncológicos aos quais é diagnosticado um episódio de TEV possuem um risco cerca de 4-5 vezes mais elevado de morte que os doentes com cancro sem trombose.
Por outro lado, uma vez estabelecido um evento de TEV no doente com cancro, a probabilidade de repetição é elevada: a taxa de recorrência é cerca de 3-4 vezes mais elevada do que na população em geral.

Desta forma torna-se necessário alertar a população em geral e os profissionais de saúde para o risco elevado de TEV a que estão sujeitos os doentes com cancro: conhecendo os sinais e sintomas associados ao TEV torna-se possível tratar de forma mais precoce e eficaz.

Opinião de Miguel Barbosa
Oncologista do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro

FONTE: Raio-X